A ciência do otimismo

Eu acho que eu sou a pessoa mais otimista do mundo. Minha esposa me chama (ou acusa em alguns momentos) de ser Poliana.


Eu acredito que é quase impossível uma pessoa pessimista conseguir ter sucesso na vida. Falta a ela a chama de esperança no futuro que faz os otimistas encontrarem força para superar todos os desafios que enfrenta.


Otimismo significa acreditar em um futuro positivo. Otimismo é o motor da resiliência. Ele nos dá a atitude de continuar a persistir.


E a melhor parte do otimismo é que ele pode ser aprendido.


Eu estou aproveitando o período de quarentena pelo COVID-19 para estudar bastante e um dos cursos que estou fazendo é o de Psicologia Positiva da UPenn. Foi lá que a Psicologia Positiva nasceu pelas mãos de Martin Seligman.


Foi interessante aprender que o principal ingrediente da resiliência é o otimismo.


Nesses tempos tão difíceis que todos estamos enfrentando achei pertinente dividir com vocês um pouco do conhecimento por trás da ciência do otimismo. Quem sabe se você não for um otimista natural, não possa se beneficiar do otimismo aprendido?

Existem dois métodos principais de medir e estudar o otimismo.


O primeiro é o “Otimismo disposicional” que aborda a crença ou expectativa de que coisas boas irão acontecer. Esse tipo de otimismo é medido pelo LOT-R (Life Orientation Test-Revised). Vejo ele como o otimismo clássico, aquele em que em tempos de incerteza nos faz esperar pelo melhor.


O segundo método é o “Estilo Explicativo” desenvolvido por Martin Seligman. Ele mede o otimismo de acordo como as pessoas explicam as coisas boas e ruins que acontecem com elas.


Basicamente, o LOT-R olha para o futuro, o otimismo em relação ao que vem pela frente, enquanto o “Estilo Explicativo” avalia como você vê e explica o passado.

Vou explicar melhor o Estilo Explicativo já que ele é menos óbvio e intuitivo e é a metodologia mais utilizada pela Psicologia Positiva.


O “Estilo Explicativo” avalia três dimensões: interna ou externa; estável ou instável; global ou específica.


Dimensão Interna é quando a pessoa acredita que é a causa do problema. A dimensão é externa quando a pessoa acredita que a causa do problema é externa.


A dimensão Estável é quando a pessoa acha que o fato não pode ser mudado, que é permanente e que não pode fazer nada a respeito. Já a dimensão Instável é quando a pessoa acredita que a causa do problema é temporária e que ela pode fazer algo a respeito e influenciar o resultado.


A dimensão é Global quando algo de ruim acontece na sua vida e você acha que isso vai permear e ter impacto negativo em outras áreas da sua vida, enquanto a dimensão será Específica quando você acredita que a causa é particular, ou seja, ela leva sim a um impacto negativo, mas não em outras áreas da sua vida.


Em resumo, segundo a teoria do “Estilo Explicativo” o otimismo acontece quando acreditamos que quando algo negativo acontece percebemos como externo (não é sua culpa), instável (algo pode ser feito a respeito) e específico (não vai impactar todas as áreas da sua vida).


Tendo explicado o que torna uma pessoa otimista ou pessimista, vou falar agora sobre algumas características do otimismo e de como ele impacta a vida das pessoas, tudo baseado em estudos científicos.


· Otimismo é um sistema de crenças e pensamentos. Nossos pensamentos determinam o que sentimos e o que fazemos. É assim que o otimismo influencia tanto o resultado de nossas vidas.


· Otimistas não são aquelas pessoas caricatas que só vem o lado positivo das coisas.


· Otimistas são ótimos para identificar problemas e consequentemente, agir, encontrar soluções e mudar os resultados.


· Otimistas têm maior tendência de aceitar o que não podem controlar. Ele foca nas coisas que pode mudar e aceita o que não pode. Não fica lamentando ou lutando contra o que não pode ser mudado.


· Otimistas andam em direção ao problema, criam estratégias para influenciar a mudança/resultado, achar soluções.


· Pessimistas tendem a focar nos aspectos do problema sobre os quais eles não podem fazer nada a respeito.


· Otimistas tendem a ter mais emoções positivas e usar o humor como forma de lidar com as situações


· Otimista lidam melhor com stress porque eles acreditam que o futuro será melhor.


· Parte do otimismo é separar o que você pode controlar do que você tem que aceitar


· Otimista possuem um maior apoio social, talvez porque otimismo seja um traço que as pessoas gostam. Otimistas são agradáveis, alegres e fáceis de conviver.


· Otimismo prevê o resultado de um relacionamento, já que otimistas têm mais chance de ver e valorizar as coisas boas que acontecem em um relacionamento.


· Otimistas tem maior qualidade de vida, são mais felizes e possuem maior bem-estar.


· Quando mais otimista menor possibilidade de ter depressão, já que o otimista acredita em um futuro melhor.


· Otimistas têm um sistema imunológico melhor e mais robusto com menos doenças cardíacas.


· Otimistas vivem mais do que pessimistas.


· Otimistas são mais prováveis de permanecer e se sair bem em profissões estressantes.


· Otimistas buscam mais informações, tomam atitude e agem.


· Otimistas são mais prováveis de pedir ajuda e consequentemente receber ajuda.

A ciência é farta em demonstrar que o otimismo faz bem em todos os aspectos da vida de uma pessoa, como saúde, amor e trabalho. É a tábua de salvação a qual nos agarramos em momentos difíceis e não nos deixa afundar. É o motor que nos empurra para frente e o ingrediente das grandes conquistas.


Apesar disso tudo, tenha sempre cuidado para que seu otimismo e não o confunda com ilusão e viés de confirmação. Ser otimista não é ser ingênuo.


Para ajudar você a saber se você está otimista em relação a um assunto ou se está se iludindo e é hora de parar, acredito que a leitura desse artigo que escrevi sobre a hora de insistir ou desistir de um projeto possa ser bastante útil: https://www.matx.com.br/post/desisto-ou-continuo-tentando

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