“Fica a dica”: minha jornada de um ano escrevendo uma newsletter semanal

Todo leitor compulsivo sonha em se tornar escritor. Comigo não é diferente.

Durantes os últimos 30 e pouco anos eu apenas adquiri conhecimento. Eu me sentia inchando internamente e com necessidade de colocar para fora um pouco do que eu tinha aprendido na vida, seja pelo estudo, seja pela experiência.


Se estivéssemos falando de comida, é como se eu apenas comesse e não fizesse exercício nem gastasse energia, ficando gordo e inchado. Se fosse uma bola, ela estava cheia e eu tinha como objetivo deixar ela murcha ao final da minha vida e precisa começar de alguma forma.


Encontrei algumas maneiras. Uma delas foi o podcast. Comecei com o Matx Podcast que acabou virando o “Além da curva”, em parceria com a ADIT. Adorei porque eu pude entrevistar e conversar com grandes profissionais, gerando um conteúdo de alta qualidade a partir de Maceió e sem a exposição das Lives e similares.


A outra maneira foi a “Newsletter Fica a dica”. Uma coisa que eu sempre tinha em mente é que deveria fazer algo que agregasse valor a quem a recebesse, sem nenhum teor comercial. Muitas pessoas não entenderam porque fazer uma newsletter em um momento em que o uso do email está tão em baixa, mas eu tenho testemunhado todo um movimento global de valorização das newsletters. Sob a ótima do consumidor, ele tem total controle e só assina as Newslettters que lhe interessam e lhe agreguem valor. Sob a ótica do produtor de conteúdo, é possível acessar diretamente o consumidor, sem a intermediação de nenhum canal ou mídia.


No início da “Fica a dica” o foco era puramente a curadoria. Como o seu próprio nome diz, eu iria selecionar dicas de livros, podcasts, filmes, vídeos e citações que eu gostava e dividir com os leitores. Com o excesso de informações do mundo, a curadoria passou a ser muito valorizada e a ter tanto valor quando a produção de conteúdo primário.


Tenho feito questão de somente indicar coisas que eu gosto pessoalmente e que me impactaram de alguma maneira. Tudo o que eu indiquei eu li ou assisti.


Com o passar do tempo, eu comecei a redigir pequenos e despretensiosos textos que aos poucos foram evoluindo para o que acabou se tornando o Blog “Para reflexão”.

Escrever o Fica a dica é bem simples para mim. Eu levo apenas 20 minutos semanalmente para selecionar e preparar as dicas da semana. Eu já tenho todas elas selecionadas e sempre que leio ou assisto algo que se encaixe no perfil, eu anoto, tornando muito fácil a confecção semanal da Newsletter.


Já o “Para reflexão” exige mais esforço, com um tempo médio de duas a três horas semanais, sempre nos finais de semana. Tento redigi-lo aos sábados para ficar com o domingo livre, mas nem sempre é possível.


Um problema que tenho ao escrever o “Para reflexão” é a dor nas costas. Por mais que eu mude de cadeira, sempre alguma parte das costas doe e torna o processo de escrever menos prazeroso do que eu desejaria. Acho que é o velho ditado de “Deus não dá asa a cobra”...


Hoje em dia, escrever a “Fica a dica” e o “Para reflexão” já se tornou um hábito e eu nem penso mais a respeito. Já sei que tenho que preparar a “Fica a dica” no sábado de manhã, geralmente antes de 7h, e que o “Para reflexão” deve ficar pronto até domingo. Com isso, organizo a minha vida em função disso e não atrapalho minhas atividades profissionais.


Muitas vezes estou cansado ou desanimado, mas aí me lembro das razões que me levaram a começar esse projeto.


O primeiro motivo é colocar em prática a minha missão pessoal de reunir, simplificar e difundir conhecimentos. Quero conectar idéias a pessoas e com isso impactar e fazer a diferença na vida delas. É isso que faz meus olhos brilharem.


O segundo motivo é que através desse processo semanal estou escrevendo capítulos de minha biografia. Não que a minha vida tenha importância especial, mas quero deixar registrado os meus gostos e pensamentos. Por isso, encaro a “Fica a dica” como a biografia das coisas que gosto, como músicas, filmes, citações, livros, etc., enquanto o “”para reflexão” narra passagens da minha vida e aborda as idéias que acredito que devam ser difundidas para ajudar as pessoas.


Muitas pessoas me perguntam porque eu não escrevo um livro, mas no final das contas, é exatamente isso o que estou fazendo, mas aos pouquinhos, semanalmente, devagar e sempre.


Algo que vejo com recorrência entre pais e mães é tentar deixar registrado o modo como enxerga o mundo e conselhos para os seus filhos. Acredito que também estou fazendo isso. Meu filho é adolescente e obviamente não se interessa pelos assuntos que escrevo, mas se em algum momento do futuro ele tiver interesse em como reduzir a sua curva de aprendizagem na vida e conhecer melhor o pai, terá um amplo arsenal à disposição. O mesmo vai valer para netos e outros familiares que ainda nem nasceram.

Em função desses objetivos acima, eu não escrevo sobre um assunto ou nicho específico, como deveria acontecer se eu quisesse aumentar a minha audiência. Ao contrário, eu escrevo sobre assuntos que me interessam, sem me preocupar muito com o que vai ser popular ou não. Um requisito que considero é escrever sobre assuntos que eu não encontro com facilidade em artigos, na mídia ou na internet.


Até acredito que com o passar do tempo eu possa segmentar os textos e o blog por assuntos, tipo “Desvendando a mente humana”, “Urbanismo”, “Mercado Imobiliário”, “Turismo”, “Multipropriedade e Timeshare”, “Gestão”, etc., mas para isso acontecer eu preciso esgotar antes essa primeira fase.


Uma vantagem adicional de escrever o “Para reflexão” é que aprendo muito sobre os assuntos que abordo. Geralmente eu já tenho algum conhecimento sobre os tópicos, mas derivado de leituras soltas, sem método e consequentemente pouco me lembro de detalhes.


Na hora em que vou escrever sobre algum desses temas, eu preciso voltar a estuda-los com maior profundidade e, mais importante, sistematiza-los e resumi-los. Como é sabido, nada é melhor para aprendermos um assunto do que ensina-lo a outra pessoa. Esse aprendizado mais aprofundado sobre assuntos que me interessam tem sido um dos melhores efeitos colaterais de todo esse processo.


Outro resultado fantástico foi encontrar pessoas com os mesmos interesses que eu. Algumas são contatos novos, enquanto outras são velhos amigos e amigas que ambas as partes não sabiam que tinham a mesma afinidade. É fantástico encontrar pessoas “like-minded”.


Uma outra lição que aprendi e deixo como dica fundamental para quem quer escrever sobre qualquer assunto é tomar notas. Eu não sabia que os escritores precisavam ser especialistas em tomar notas. Da mesma maneira, eu não sabia que existiam técnicas para tomar notas que facilitam enormemente o processo criativo e de produção de conteúdo.


Confesso, que sem tomar notas, seja de idéias que me veem à cabeça, seja de assuntos que encontro em livros e artigos, eu não conseguiria ter escrito uma fração do que escrevi durante esse primeiro ano. Para quem quiser começar a tomar notas eu indico o sistema Roam Research, disponível na internet e que é baseado no método Zettelkasten.


Ao iniciar a Newsletter “Fica a dica” eu acreditava que teria conteúdo para no máximo o primeiro ano. Ao se aproximar do seu primeiro aniversário eu comecei a me perguntar se eu teria conteúdo suficiente para continuar o projeto por pelo menos mais um ano.


Fiquei feliz em chegar à conclusão de que eu acredito que consiga. Depois do segundo ano eu não sei o que vai acontecer, mas pelo menos nos próximos 12 meses, como diria o Zagalo, vocês vão ter que me engolir!


Abraço carinhoso a todos vocês e espero que continuemos juntos nessa caminhada.


Felipe Cavalcante




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