Os bastidores de um grupo Mastermind

Atualizado: Jun 22

Algumas pessoas têm ficado curiosas sobre o que são exatamente os meus grupos Mastermind e como eles funcionam. Então resolvi não só responder essas perguntas, mas também contar como surgiu a idéia e quais são os conceitos por trás deles.


Quando estava claro que eu deixaria a ADIT Brasil, entidade que fundei e presidi por 13 anos, comecei a pensar a respeito do que fazer a seguir. Como pano de fundo, o objetivo de continuar pondo em prática minha missão de reunir, simplificar e difundir conhecimento, fazendo a conexão não só entre pessoas, mas também entre pessoas e idéias.


Quem primeiro falou comigo sobre um grupo Mastermind foi o João Kepler, um dos principais investidores-anjo do Brasil, durante uma reunião em seu escritório onde eu pedia sua opinião sobre uma startup que eu estava desenvolvendo. A idéia bateu tão forte em mim que durante a noite e madrugada eu preparei todo o material do que seria o meu grupo e enviei para ele dar uma olhada antes das 6h da manhã.


De um lado, eu amo difundir conhecimento e ajudar as pessoas. Por outro lado, durante o período a frente da Adit também descobri que tinha vocação para conectar pessoas. Logo eu, introvertido e recluso, me revelei na arte do networking, desenvolvendo não só uma excelente rede de relacionamento, mas também ajudando centenas ou milhares de pessoas a se conectar com as pessoas certas.


Uma coisa que também me chamava a atenção a algum tempo era a tendência dos eventos produzirem conteúdo e network superficiais, servindo muitas vezes de ponto de encontro anual dos profissionais do setor. Enquanto eram muito úteis para os iniciantes, passavam a agregar cada vez menos valor para os profissionais mais sênior que já frequentavam o evento a mais tempo.


Outro ponto que contribuiu para o meu despertar para os grupos Mastermind foi a minha crença em uma educação cada vez mais tácita, sem professores formais ou fora dos canais tradicionais de educação. Estava vendo essa tendência crescer cada vez mais no mundo e para mim fazia todo sentido. Via cada vez menos profissionais procurando MBA e similares e poucos canais oferecendo o tipo de conhecimento prático tão necessário para as pessoas.


Também sempre me vinha à cabeça o isolamento dos líderes empresariais na hora de tomar decisões e a dificuldade de encontrar em seu ambiente pessoal e de trabalho pessoas com quem eles pudessem dividir suas dúvidas. Alguns não tinham sócios e discutiam os assuntos com a esposa ou marido, que muitas vezes não estava por dentro de todas as nuances empresarias. Outras vezes tinha sócio, mas com relacionamento conturbado. Alguns tinham conselho de administração, mas que muitas vezes são formais e repleto de política.


Minha conclusão é que mesmo os líderes precisam de uma tribo para chamar de sua com pessoas com quem se identifiquem. Pessoas com interesses similares, que não se conhecem, mas que deveriam se conhecer.


Juntando tudo isso, entendi que realizar grupos Masterminds era algo que estava totalmente alinhado com minha missão de vida e iria agregar muito valor às pessoas e empresas. Portanto, coloquei mãos à obra. Primeiro fiz um piloto com alguns amigos, como José Carlos Martins, Presidente da CBIC, Francisco Costa Neto, CEO da Aviva e João Paulo Pacífico do Grupo Gaia. Todos de setores diferentes, mas ali já deu para perceber que a coisa fazia muito sentido. Se pessoas tão sêniores como eles viram valor agregado no modelo, certamente a coisa funcionaria.


Resolvi fazer os primeiros Masterminds com os setores que eu tinha liderado institucionalmente por tantos anos: Multipropriedade/timeshare e Bairros Planejados. Deu certo e já tivemos vários encontros. Infelizmente eu não tenho o tempo necessário para fazer muitos outros tendo em vista a minha ocupação principal à frente do ILOA Resort.


Saindo um pouco da história por trás do porquê de eu ter resolvido realizar grupos Masterminds, vou explicar agora não só o que é um grupo Mastermind, mas também o que não é, já que começam a surgir várias iniciativas com esse nome.


Eu defino o grupo Mastermind como um grupo de discussão e relacionamento com o objetivo de trocar experiências e aconselhamentos, visando o crescimento pessoal e profissional dos participantes.


O conceito surgiu com a reunião de pessoas que queriam trocar idéias e se aconselhar com outras pessoas que tinha problemas e dores similares às suas, existindo a possibilidade de os encontros serem setoriais ou multisetoriais.


Os encontros multisetoriais têm a vantagem de não haver concorrência direta entre os participantes, fazendo com que eles se sintam mais à vontade para abordar temas delicados e as fragilidades de suas empresas. Já nos grupos temáticos, os assuntos discutidos têm uma correlação direta com os interesses dos participantes e tendem a ser mais focados e aprofundados.


Tenho visto algumas pessoas organizando grupos “Mastermind” que na verdade são workshops e seminários com palestras e muitas vezes forte componente motivacional. As pessoas que me conhecem sabem do quanto eu gosto de estudar e o quanto eu me preparo para qualquer nova empreitada. Não foi diferente com os grupos Mastermind. Estudei bastante, li diversos livros e aprendi com a experiência internacional, e posso assegurar que esse tipo de formato não é um Mastermind.


Para você entender melhor, explico abaixo os principais conceitos que utilizo em meus grupos Mastermind:


· Todos os participantes têm que doar algo, contribuir para o grupo e ter capacidade de agregar aos demais participantes. Ninguém pode ir apenas para aprender. Todos devem ir para ensinar.


· Os professores e “palestrantes” são os próprios participantes. O conhecimento está no grupo de participantes e não em palestrantes e convidados externos, que podem e devem existir, mas não como razão principal.


· O foco é colocar juntos pessoas que têm os mesmos problemas e as mesmas dores para trocar experiência e melhores práticas.


· O maior desafio de um grupo Mastermind é a necessidade de nivelamento entre os participantes. Não adianta colocar numa mesma sala pessoas muito desniveladas. Profissionais sênior com Juniors ou grandes empresas com pequenas empresas farão os mais qualificados não perceberem valor agregado no grupo.


· O Mastermind é uma ótima oportunidade de exercitar a modéstia. Nele certamente você não será a pessoa mais esperta na sala e estará cercado de outras pessoas com grande conhecimento. Um aspecto interessante é que cada pessoa é melhor em um determinado assunto. Muitas vezes uma pessoa que fica calado por um bom tempo, repentinamente brilha quando um assunto que ele domina é abordado.


· Sinceridade, confiança e confidencialidade são os pilares do grupo.


· Os conhecimentos adquiridos precisam ter aplicação prática nas empresas.


· Os assuntos são tratados com profundidade e todos os participantes têm seu momento de expor suas questões e solicitar a opinião dos demais.


· Usamos o conceito de “Back to human”, de contato próximo e pessoal entre as pessoas.


· São construídos relacionamentos e conexões profundas, tanto em função do convívio, como da confiança advinda ao se expor as vulnerabilidades de cada participante.


· Acontece uma mágica quando pessoas inteligentes se juntam, focadas um esforço comum e pensando em soluções.


· Networking e geração de negócios não são o principal objetivo do grupo Mastermind, mas eles acontecem com força e de maneira natural.


Explicado os conceitos por trás de um grupo Mastermind, vou explicar agora como ele funciona na prática.


Para ilustrar como funciona, imagine a metodologia de Harvard de análise de estudos de casos. A diferença é que no Mastermind nós discutimos e analisamos casos e situações reais dos participantes e não de terceiros.


Existem vários formatos. No exterior, é comum jantares semanais ou mensais quando os participantes são da mesma cidade. Nós adotamos o formato de encontros bi ou trimestrais de um dia inteiro já que os participantes são de oriundos de todo o Brasil. Geralmente realizamos os encontros em São Paulo por ser mais central e por todos terem sempre algo a fazer lá.


O primeiro encontro geralmente faço em algum hotel ou similar, mas a partir do segundo os encontros passam a acontecer nos escritórios dos próprios participantes, que se disponibilizam a receber seus companheiros. Muitas vezes as reuniões nos escritórios de algum participante podem vir acompanhada de uma visita técnica.


Em tempos de pandemia, funcionou muito bem os encontros virtuais. Sem sombra de dúvidas esse é um formato que veio para ficar. A maior diferença é que os encontros são quinzenais ou mensais em vez de trimestrais. Mais curtos e mais frequentes.


O grupo deve ficar junto tempo suficiente para que seja criada a conexão necessária para tirar o máximo proveito do grupo. Porém, apesar de nenhum grupo meu ainda ter chegado aos doze meses, tenho convicção que estamos formando algo muito maior, que durará por muitos anos. No grupo de Bairros Planejados, por exemplo, já estamos criando um movimento com nome e site com o objetivo de mudar as cidades brasileiras.


Nos encontros presenciais, é fundamental realizar um jantar nas noites anteriores aos encontros, em especial o primeiro. É nesse momento que cada um pode se apresentar e apresentar suas empresas. É importante que as pessoas saibam o que cada uma faz, não só para gerar empatias, mas por que aumentam as chances de realização de negócios.


Para que um grupo Mastermind seja efetivo o grupo não pode ser grande. Estabeleço em 12 a quantidade máxima de participantes. Todos devem ter um momento para falar e ser o centro das atenções. Porém, sabendo que raramente todos os 12 conseguirão estar presentes em todos os encontros, libero até 15 ou 16 participantes, desde que os novos entrantes sejam qualificados e agreguem bastante valor ao grupo. Geralmente, eles são indicados pelos próprios participantes atuais do grupo.


A qualidade do grupo é inversamente proporcional à quantidade de powerpoints que são apresentados nele. O conteúdo não precisa ser estruturado, sendo muito mais adequado ao formato de mesa redonda.


Existem inúmeras técnicas e dinâmicas que podem ser utilizadas em grupo Mastermind. Eu prefiro a técnica do Hot Seat, onde cada participante tem direito a um determinado período para solicitar conselhos e opiniões sobre assuntos que lhe interessem. Acaba sendo também muito utilizada a discussão de temas escolhido em votações pelos membros do grupo. Muito raramente é possível falar de mais de que seis assuntos por encontro, pelo menos em profundidade. Existem várias outras dinâmicas, tanto para para os momentos formais, quanto para os informais.


Obviamente que por ser o próprio “Mastermind” por trás dos encontros, eu preciso entender dos assuntos que são discutidos. Porém, uma habilidade crucial para o facilitador é criar rapidamente um ambiente de confiança mútua entre concorrentes. Aprendi a fazer isso durante a minha vida, o que tem ajudado bastante na dinâmica e abertura das discussões.


Acredito que com esse roteiro dos bastidores dos grupos Masterminds tenha ficado claro a diferença de formato e metodologia em relação a outras iniciativas, cursos, treinamentos e eventos. Tenho convicção que é um modelo que entrega muito valor aos participantes e que cada vez mais cairá no gosto dos empresários e executivos.


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