Os segredos por trás de um bom casamento

Atualizado: há 5 dias

Estamos em maio de 2020, em plena pandemia do coronavírus e a todo momento vemos e lemos reportagens e artigos sobre o stress que a quarentena gera nos casais e famílias que estão sendo forçadas a conviver juntas, sem válvula de escape por alguns meses.


Óbvio que que esse ambiente pode facilmente virar uma panela de pressão fazendo com que tanto relacionamentos que já estivessem fragilizados como relacionamento relativamente estáveis passem por momento de tensão.


Por conta disso, pela importância que um casamento tem na vida das pessoas e pelo sentimento que sempre tive de que muitos desentendimentos poderiam deixar de acontecer e relacionamentos serem salvos, eu resolvi escrever sobre técnicas e atitudes que ajudarão os casais a terem um relacionamento mais harmônico e carinhoso.


Porém, é fundamental que entendam que não estou aqui dizendo que me comporto sempre assim, afinal de contas sou humano e repleto de falhas. Meu casamento é sim muito harmonioso e meu lar cheio de paz e tranquilidade, felizmente. Mas sem sombra de dúvidas o grande mérito é da minha esposa e não meu.


Nunca me esqueço do meu desconforto no início de nosso relacionamento quando ela me obrigava a sentar e discutir assuntos que estivessem nos incomodando. Para mim aquilo era algo antinatural e novo para mim, que sempre fui trancadão e nunca dividi meus sentimentos com ninguém.


E falando nisso, talvez esse seja o maior conselho que eu dou para vocês: não deixe suas insatisfações remoerem dentro de você. Isso é o equivalente a cultivar uma erva daninha em solo fértil e o resultado de não encarar de frente, com discussões maduras, os problemas do casal só leva a um fim, que não é bom.


A tarefa de manter uma relação saudável e carinhosa entre duas pessoas durante décadas é um enorme desafio. Antigamente era mais fácil, pois o casamento era apenas um instrumento utilitário entre duas pessoas. Posteriormente, isso tudo mudou quando começou a haver a glamorização do amor romântico. Entre esses dois extremos, a sociedade moderna tenta encontrar um ponto de equilíbrio que caminha cada vez mais na direção de se encontrar um parceiro para a vida, alguém em quem se apoiar e com quem possa dividir as dificuldades e as alegrias da vida.


Durante muitos anos a minha vida foi viajar a trabalho tanto para o exterior quanto dentro do Brasil. Esse é em si um grande obstáculo para qualquer casamento. Felizmente mais uma vez eu tive a sabedoria da minha esposa ao meu lado, que entendendo o momento único de vida e as oportunidades que trazia, aceitou minhas viagens, aceitando que eu não conseguisse dar quantidade de tempo à família, mas me pedindo em contrapartida qualidade do tempo, que quando eu estivesse em casa, estivesse 100%.


Uma coisa que me chamou a atenção nessas inúmeras viagens foi que eu aprendi a descobrir quais casamentos dos meus colegas estavam indo bem e quais estavam indo mal. Em resumo, todos que estavam com o casamento indo bem, queriam passar o maior tempo possível em seus lares. Por isso, eles sempre viajavam o mais tarde possível e voltavam para casa o quanto antes. Eram os últimos a chegar e os primeiros a sair, comportamento inverso ao daqueles que estavam com problemas no casamento, que sempre chegavam um dia mais cedo e voltavam um dia mais tarde.


Tendo feito essa introdução, vou comentar abaixo quais são os pontos e atitudes que fazem um casamento não só se manter estável como florescer.


Confiança é de longe o item mais importante em qualquer relacionamento. Quando se tem confiança se economiza muita energia. É só pensar na energia emocional gasta quando não se confia no seu conjugue. E aqui não falo apenas de confiança em não trair, mas em diversos tipos de confiança. Confiança é fundamental e é a cola de qualquer comunidade, o que dirá de casamentos. Dê provas de que é confiável.


Informe à sua esposa onde você está, deixe ela ter acesso ao celular e entregue todas as suas senhas. E por favor respeite a inteligência dela e não venha com o papo de privacidade. Esse é o típico caso de que quem não deve não teme.


Pratique o menos eu e mais ela. Relacionamento não é sobre receber, mas sobre dar. Deixar de se centrar no seu “eu” fará com que o relacionamento floresça.


Quando estiver conversando com seu conjugue, olhe nos olhos dele com o intuito de ver a cor dos seus olhos. Ele vai sentir que você está prestando o máximo de atenção e sintonizado.


Ao longo da minha vida percebi que um dos fatores que mais são responsáveis pelo fim dos casamentos é quando um dos conjugues cresce pessoal e profissionalmente e o outro fica estagnado. Claro que sempre existirão desnivelamentos, mas se ele for grande demais não vai ter jeito. É muito difícil um casamento sobreviver a isso.


O conjugue precisa estar presente e dividir os melhores momentos e alegrias do seu parceiro. Parece fácil e óbvio, mas não é. Geralmente quando um conjugue divide alguma conquista com o seu parceiro não demonstra interesse, o parceiro não demonstra interesse, continua com os olhos grudados no celular, faz alguma pergunta protocolar, ou ainda pior, minimiza, ridiculariza e elenca os pontos negativos. Isso é um verdadeiro matador de casamentos.


Ninguém é perfeito e todo mundo tem problemas. Entenda que o outro sempre vai ter defeitos, mas decida quais são os aceitáveis e os inaceitáveis e deixe isso claro para seu parceiro.


Por outro lado, pergunte ao outro quais são as suas atitudes que o incomodam. Existirão algumas fáceis de mudar e outros muito difíceis. Comece mudando as atitudes pequenas, irritantes e repetitivos, como urinar fora do vaso e não deixar as suas coisas bagunçadas na sala, por exemplo. Caso ache que não conseguirá mudar algum desses comportamentos deixe isso claro para nivelar as expectativas.


Um ponto fundamental é dividir os problemas entre os solucionáveis e os perpétuos. Ou seja, para alguns problemas é mais fácil se ter uma solução, que geralmente depende mais de uma mudança de atitude ou hábito da pessoa, enquanto que outros problemas são de difícil solução, geralmente aqueles ligados à personalidade da pessoa. Tendo isso claro, você precisa decidir se vai aceitar esse problema ou não. Caso aceite algo que não pode ser mudado, vire a página e não fale mais a esse respeito, muito menos reclame.


Da mesma maneira de que a receita da felicidade é você ter expectativas menores do que a realidade, o mesmo se aplica ao seu relacionamento. Um santo remédio para ele fluir é você abaixar as suas expectativas em relação ao seu conjugue. Em resumo, se não puder mudar a pessoa, mude suas expectativas em relação a ela.


Outro segredo de qualquer relacionamento é você dar apoio aos planos e sonhos do seu conjugue. Parece simples e óbvio, mas na prática é muito menos frequente do que você imagina. Ao contrário, muitos maridos ou esposas não apoiam, boicotam ou são indiferentes àquilo que faz os olhos do seu conjugue brilhar.


Também aprendi uma grande lição, de que tempos difíceis são os grandes divisores de água em um relacionamento. Ou esses relacionamentos se destroem ou eles saem fortalecidos. São as crises que forjam o relacionamento e geram aquele tipo de liga, tipo cola “super bond”, que ata o casal definitivamente. É um sentimento de pertencimento, de ser um time, de saber que pode contar mesmo nos piores momentos.


Tenha em mente que não são os grandes atos que importam, mas os pequenos e diários. Não adianta ser um péssimo marido no dia a dia e dar um presente caro ou sair para um jantar sofisticado de vez em quando. Não é isso que constrói um relacionamento.


Sabe aquelas reclamações constantes que seu conjugue faz para você? Uma chatice, né? Só que não. Na verdade, são alertas e pedidos de socorro que ele está fazendo para você. Leve-os a sério e encare-os de frente, pois se não forem resolvidos afetarão muito o seu casamento.


Um ponto subestimado é a necessidade que as pessoas têm de ser ouvidas. Muitas vezes é só isso o que o seu conjugue precisa. E nesses casos tenha interesse genuíno e foque na conversa.


Lembre-se sempre de que em cada momento existe a alternativa de você se aproximar ou se afastar do seu cônjuge. Faça sua escolha.


Permita-se ser vulnerável. Esse é o caminho verdadeiro para a intimidade e a cumplicidade.


Tenha empatia e se coloque no lugar do outro, tentando verdadeiramente entende-lo. E para isso não pressuponha o que o outro está pensando ou o que o outro quer. Pergunte a ele.


Uma das receitas mais simples para ter um dia agradável com seu conjugue é acorda-lo com um gesto carinhoso e positivo, um elogio, um sorriso e um beijo. Isso muda todo o clima e energia da relação naquele dia.


Seja sincero. Ninguém detecta melhor falsidade de que o seu parceiro.


Lembre-se que a atração física e a paixão vão perdendo espaço com o passar do tempo para o respeito, a admiração e a cumplicidade. Isso é natural. Não fique lamentando pela perda da paixão inicial.


A solidez do seu casamento é proporcional à vontade que você tem de estar em casa. O seu lar tem que ser o seu refúgio, ser agradável e o local onde você encontra paz de espírito. Pode até não ser tão perfeito assim, mas se for o posto, é hora de pensar seriamente em outro caminho.


Dito tudo isso, também é importante realçar a importância de impor seus limites ao parceiro e se fazer respeitar. Do mesmo jeito que criança fica testando os limites dos pais, isso acontece com o conjugue. Imponha-se quando ele cruzar a linha.


Cuidado com o que fala na hora da briga. Palavras não voltam para a boca. Nesses momentos nós dizemos tudo o que pensamos. Igual a quando estamos bêbados. Se o casal tiver conversas frequentes sobre o que os incomoda, a chance de falar algo agressivo num momento de raiva é bem menor.


Nunca desautorize seu parceiro na frente das crianças. Nunca.


Pergunte-se se o parceiro lhe faz ser uma pessoa melhor ou se está tornando a sua vida pior e impedindo o seu crescimento. É aquela velha história: Atrás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher ou vice-versa.


Quando uma mulher gosta do marido, ela não se encanta pelo sucesso dele. O foco dela sempre será a família, o lar e ela mesmo. Para ela você nunca será o empresário poderoso e bem-sucedido, mas seu marido. Ela vai lhe medir por você ser um bom marido e pai e não um grande empresário.


O bom é melhor do que o perfeito. Lembre-se que se tivesse casado com outra pessoa ela teria outros problemas. Caso se separe, o novo conjugue terá os seus próprios problemas.


Aprenda a escutar. Não interrompa. Controle a ansiedade. Se for uma conversa séria e formal, escreva para não interromper. Não julgue nem se defenda, apenas tente entender o ponto de vista da outra pessoa.


Intimidade é fundamental. Muitas vezes apenas tocar, cheirar e abraçar já é suficiente.


Um beijo por 3 a 5 segundos ao de sair ou chegar em casa faz milagres na relação.


Faça uma relação de seus pontos positivos do seu conjugue e lembre sempre deles.


Pergunte ao seu conjugue quais são as suas três maiores necessidades e como você pode ajudar a resolve-las.


Não tenha vergonha de pedir desculpas e dar o primeiro passo após uma discussão.


Cultive a gratidão. Valorize a gratidão. Não alimente os pontos negativos do seu conjugue.

No final das contas, vão permanecer juntos aqueles casais que conseguem resolver seus problemas e vão se separar aqueles que possuem uma vida miserável e que ficam presos a seus conflitos. Prometo que se você utilizar apenas uma fração das dicas acima as chances de você ter um casamento bem-sucedido vão aumentar bastante.

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