Tudo o que você deve saber para escolher uma faculdade ou profissão

Atualizado: Jun 22

Nos próximos anos o meu filho vai ter que escolher qual faculdade e qual profissão ele vai escolher. Já começamos a falar a respeito, ainda que incipientemente. Mas isso me fez começar a refletir sobre o assunto e resolvi dividir com vocês alguns dos conceitos e idéias que tenho tido a esse respeito.


A minha primeira e principal conclusão é que felizmente escolher a faculdade é hoje uma decisão muito menos importante do que era antigamente, quando essa escolha praticamente definia quem você seria pelo resto da sua vida. E isso não fazia absolutamente nenhum sentido, pois nenhum adolescente de 17 anos está preparado para tomar uma decisão dessa magnitude.


Antigamente a escolha da profissão era o equivalente a entrar num túnel, onde a decisão determinava o seu futuro e não era possível sair no meio do caminho. Hoje em dia a escolha da profissão é mais parecida com uma autoestrada com várias saídas até o seu destino final e você está em um carro com GPS. Se você errar o caminho o GPS vai lhe apontar e sugerir uma nova rota. Ele não lhe obriga a adota-la, a voltar, mas lhe informa que para chegar no seu destino você precisa se adaptar.


Ou seja, não gostou daquela faculdade ou profissão, é só tentar outra, como se fosse um experimento científico, repleto de tentativas e erros e pontos conectados em vez de linhas retas.


Quando a gente também considera o aumento do tempo de vida produtiva das pessoas hoje e no futuro, aí é que esse raciocínio faz ainda mais sentido, pois o que é um ou dois anos perdidos em uma vida de 90 anos. Se a pessoa não estiver satisfeita, o melhor é procurar algo em que se encontre e se realize.


Essa perspectiva é importante porque como todos sabemos a grande maioria das pessoas não tem a menor idéia sobre como são na prática as profissões nem como o mundo funciona. É muito anormal uma criança ou adolescente ter clara sua vocação, saber o que quer e como chegar lá. Nessa idade eles não têm uma paixão ou interesse específico e não sabem no que são melhores do que os outros.


Nessa época também somos presos pelo local onde nascemos e pela situação econômica de nossa família, dificultando muito o leque de escolha. Porém, se não podemos escolher onde, quando e em qual família nascemos, está ao nosso alcance fazer o nosso melhor na escola para tirar as melhores notas e poder ter a base e as notas necessárias para aumentar as possibilidades na hora de escolher a faculdade. Caso contrário, a pessoa terá que se contentar em fazer a faculdade em que der para passar ou pagar.


Por isso que acho que essa é a fase de pescar com rede e não com molinete. É a fase de explorar, de descobrir no que você é bom e tem talento. E isso só se descobre praticando e não lendo. Se você tentar e tentar, em algum momento você vai descobrir algo em que quer focar. Tendo descoberto algo no que você quer se dedicar, aí é hora de gastar toda a sua energia, perseverança e garra para ser o melhor possível.


Um outro ponto importante é o peso que cada pessoa dá à paixão, dinheiro e segurança. Tal como seu nível de ambição, cada um desses fatores é muito pessoal e será determinante para a escolha da faculdade. Uma pessoa pode gostar de arte, mas preferir uma profissão com maior chance de ganhar dinheiro e tratar a arte como um hobby em seu tempo livre. Outra seguirá sua paixão pela arte, sem se preocupar muito com estabilidade financeira.


Também deve ser considerado o fato de que algumas profissões têm menor probabilidade de proporcionar grandes ganhos financeiros, como contabilidade, educação física e história, enquanto outras possibilitam uma maior chance, como advocacia e ser empresário.


Uma coisa que pode ajudar é a pessoa fazer uma lista das coisas em que é bom, tenha interesse, que faz com facilidade e que parecem natural. Pode ser algo físico, intelectual ou emocional. Junto com essa lista tem que ser feita a inversa, com as coisas que não gosta, não tem interesse e não é bom. Com isso já se pode dar uma boa filtrada nas opções.


Algo que emerge disso tudo é que é cada vez mais factível uma pessoa seguir sua paixão no início da carreira para ver onde pode dar. Não só existe mais tempo para correções de rota, como a própria sociedade, incluindo os pais, estão cada vez mais receptivos e abertos à essa possibilidade.


Dentro dessa linha, uma maneira de analisar se a pessoa deve seguir sua paixão ou ser mais pragmática é se perguntar se (a) gosta de fazer, (b) saber fazer e (c) consegue ganhar a vida. Importante que aqui falamos nesses três pontos não em nível amador, mas profissional, na arena da vida. Para conseguir viver de uma paixão você realmente precisa ser diferenciado.


Se por um lado as profissões que exigem cursos longos e possuem entidades de classe que impõem barreiras de entrada, como medicina, direito e engenharia, vão sempre ter seu espaço, por outro lado, cada vez mais gente não precisará mais sequer fazer uma faculdade, tendo em vista a enorme disponibilidade de cursos práticos de curta duração e cursos online.


Um ponto que entendo ser fundamental é que independentemente da profissão que a pessoa escolha, ela precisa gastar uma boa dose de energia em ter algum grau de domínio e compreensão de tecnologia, marketing, vendas e habilidade pessoais, como liderança e inteligência emocional. São requisitos que a vida real exige de todas as pessoas.


Óbvio que no mercado de trabalho a lei de oferta e demanda também atua e com força. Com isso nunca é demais lembrar que quem tem olho em terra de cego é rei, ou seja, é importante considerar quais são as profissões do futuro, quer dizer, tudo ligado à tecnologia da informação, que ainda tem o lado positivo de poder ser aprendido de maneira autodidata de qualquer lugar do mundo.


Já Direito continua sendo a faculdade que oferece o maior leque de possibilidades e atuação, além de possibilitar tanto ter uma vida segura e estável, ao se escolher ser funcionário público, como ter sucesso financeiro da advocacia privada. Além disso, a quantidade de áreas do direito é praticamente infinita.


Mas se a pessoa quiser ter uma passagem mais direta para o coração do mercado financeiro, aí a coisa fica mais simples, porém, cara. Tudo o que precisa é cursar o Ibmec e, em menor escala, FGV em São Paulo. Elas são a porta de entrada para a Faria Lima.


Uma coisa que acho muito interessante é que antes de escolher em definitivo qual faculdade quer cursar, a pessoa consiga conversar e até vivenciar o dia-a-dia de um profissional das suas áreas de interesse para ver como ela é na prática.


Mas no final das contas, o grande recado é que nenhuma decisão é definitiva e algo que pode dar errado hoje pode ser fundamental em um próximo estágio da sua vida. E saber disso é libertador.




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